Tempo, presença e a travessia dos 40: por que o ritmo importa mais nessa fase da vida

Tempo, presença e a travessia dos 40: por que o ritmo importa mais nessa fase da vida

Autora: Dra. Anamélia Guerra · CRM-SP 105.749

 

A ciência recente sobre envelhecimento circadiano revela algo pouco discutido: o relógio biológico não permanece neutro ao longo da vida. A partir da transição da meia-idade, estudos mostram redução na amplitude dos ritmos de melatonina e de temperatura corporal — um relógio de amplitude menor distingue com menos clareza o dia da noite, e a experiência de energia e presença ao longo do dia se torna menos definida.

Essa é, precisamente, a fase da vida em que muitas mulheres relatam sentir que perderam contato com seu próprio ritmo — não por falta de cuidado, mas porque o sistema que organiza esse ritmo por dentro está, ele mesmo, em transição. Reconhecer isso muda a pergunta. Em vez de “o que estou fazendo de errado”, a pergunta se torna: como posso oferecer ao meu corpo sinais de tempo mais claros, justamente na fase em que ele mais precisa deles?

É esse território — o relógio biológico que se transforma com os anos, e a necessidade de reforçá-lo com constância — que orienta a forma como a AERUM pensa cada ritual voltado a essa fase da vida. Luz ao acordar, escuridão à noite, horários regulares de alimentação e sono: não são hábitos genéricos de bem-estar. São a resposta direta a uma mudança fisiológica real, sustentada por evidência, e tratada com o respeito que ela merece.

Referências

• npj Women’s Health (2025). Circadian rhythms as health indicator in women’s aging. nature.com/articles/s44294-025-00057-z

• The circadian variation of sleep and alertness of postmenopausal women. PMC. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9905778/