O maestro e a orquestra: como o corpo mantém milhares de relógios em sincronia

O maestro e a orquestra: como o corpo mantém milhares de relógios em sincronia

Autora: Dra. Anamélia Guerra · CRM-SP 105.749

 

Fígado, pele, pâncreas, coração, intestino — cada órgão do corpo humano possui seu próprio relógio biológico, funcionando de forma independente. Sem coordenação, esse conjunto seria apenas ruído. Por isso existe um regente: o núcleo supraquiasmático, uma estrutura de cerca de 20 mil neurônios localizada no hipotálamo, que recebe informação de luz diretamente da retina e usa esse sinal para ajustar o horário de todo o organismo.

É uma arquitetura elegante — um maestro e milhares de músicos, cada um com sua própria partitura, tocando a mesma peça em tempos diferentes do dia. O fígado e o pâncreas, por exemplo, respondem de forma distinta a um mesmo alimento consumido de manhã ou à noite, porque operam com uma expectativa temporal própria, sincronizada pelo relógio central.

Os sinais que ajustam esse sistema chamam-se zeitgebers — palavra alemã para “doadores de tempo”. A luz é o mais potente, atuando diretamente sobre o núcleo supraquiasmático. A alimentação sincroniza os relógios periféricos, sobretudo o do fígado. Movimento, temperatura e regularidade de sono completam esse conjunto de sinais.

É esse princípio — a ideia de que o corpo é uma orquestra que precisa de sinais certos, nos horários certos, para tocar em harmonia — que orienta cada ritual AERUM. Não desenhamos produtos isolados. Desenhamos sistemas que devolvem ao corpo os sinais de tempo que a vida moderna, com sua exposição contínua à luz artificial e horários irregulares, frequentemente interrompe.

Referências

• The Nobel Prize (2017). Advanced Information. nobelprize.org/prizes/medicine/2017/advanced-information/

• Exploration (2024). Circadian rhythm modulation in metabolic disease: targeting clock genes. explorationpub.com/Journals/eemd/Article/101467